Chama e Fumo

Amor – chama, e, depois, fumaça… 
Medita no que vais fazer: 
O fumo vem, a chama passa… 

Gozo cruel, ventura escassa, 
Dono do meu e do teu ser, 
Amor – chama, e, depois, fumaça… 

Tanto ele queima! e, por desgraça, 
Queimado o que melhor houver, 
O fumo vem, a chama passa… 

Paixão puríssima ou devassa, 
Triste ou feliz, pena ou prazer, 
Amor – chama, e, depois, fumaça… 

A cada par que a aurora enlaça, 
Como é pungente o entardecer! 
O fumo vem, a chama passa… 

Antes, todo ele é gosto e graça. 
Amor, fogueira linda a arder! 
Amor – chama, e, depois, fumaça… 

Porquanto, mal se satisfaça 
(Como te poderei dizer?…), 
O fumo vem, a chama passa… 

A chama queima. O fumo embaça. 
Tão triste que é! Mas… tem de ser… 
Amor?… – chama, e, depois, fumaça: 
O fumo vem, a chama passa… 

in “Bandeira de bolso: uma Antologia Poética”