N’um album

Do soffrimento o archanjo lamentoso
Sobre a face do mundo estende o braço:
Um diadema offertava, e pavoroso:
«Para o que mais soffreu!» gritou no espaço.

Eis logo immensa turba se atropella,
Todos querem ganhar a prenda infausta;
Mas nenhum dos que chegam por obtêl-a
Mostrava a taça da amargura exhausta.

«Afastae-vos!» lhes brada o genio esquivo,
«Nenhum tocou do soffrimento a meta:
«Tu, só tu mereceste o premio altivo;
Ergue a fronte, coroa-te, poeta!»

Soares de Passos, em “Poesias”