Poeta

José Joaquim Cesário Verde teve uma vida breve e deixou-nos apenas “O Livro de Cesário Verde” contudo marcou todas as gerações vindouras da poesia portuguesa.

1855 | POETA

Cesário Verde

foto: Carlos Santos

vida e obra

Nascido no seio da burguesia mercantil, começou por distinguir-se entre os protagonista da vida cultural ao nunca abandonar a integração social e a atividade profissional no seu meio de origem, nem trocar as referências à sua extração sociocultural pelos padrões de comportamento dos literatos. 

Num misto de orgulho e de pesar, frequenta mas abandona o curso superior de Letras, experimentando um desencanto quase institucional da vida literária; e após uma vida breve em que esta relação periférica com o campo literário condicionou a desenvolução comunicacional do seu discurso poético, a obra – inédita ou dispersa à hora da morte e postumamente editada no famoso texto “O Livro de Cesário Verde”, organizado pelo amigo dileto Silva Pinto. 

De pendor naturalista/realista o discurso lírico de Cesário Verde divide-se entre a cidade e o campo, apresentando uma poesia dicotómica do poeta partilhado (tal como, mais tarde, Fernando Pessoa fará com a criação de Alberto Caeiro e Álvaro de Campos). É, aliás, considerado percursor da modernidade, de Pessoa e dos seus heterónimos. A originalidade e o prospectivismo da sua obra poética já a vocacionavam para lançar pontes até mais longe, séc. XX adentro; daí o ascendente que exerce sobre boa parte da poesia portuguesa contemporânea.

“Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.”

excerto de "De tarde" | 1887

A Ligação a Oeiras

A Casa de Cesário Verde, localizada na Rua Visconde Moreira Rey, em Linda-a-Pastora, é hoje o que resta como lugar que traduz a vivência bucólica do poeta Cesário Verde. Denominada Quinta de São Domingos, ou dos Verdes, como é mais conhecida em Linda-a-Pastora, foi adquirida por Giovanni Maria Verdi (bisavô  do poeta de origem italiana) em 1798 e correspondeu a uma extensa quinta sobre o Jamor, chegando a alcançar uma área de três hectares.

O campo apresentado na poesia de Cesário Verde não tem o aspecto idílico, paradisíaco que teve para poetas anteriores. Para Cesário Verde, o campo é o espaço real, do trabalho diário, do esforço da sobrevivência, da força da vida. Por esta razão a ruralidade é o território associado à vitalidade, ao rejuvenescimento, já que é visto como o lugar da terra, saudável e fértil.

Leitura escultórica

O monumento é formado por um grupo Escultórico, que simbolicamente alude à dicotomia da obra do Poeta, entre a cidade e o campo.
É composto por duas figuras femininas, dois muros que definem um caminho e uma ave negra, relacionando as características da obra do poeta e a sua curta vida pessoal. Todos estes elementos são colocados sobre um grande círculo no chão, definido por dois pavimentos distintos, divididos por uma linha em Z, que simbolizam a referencial dicotomia da obra poética, cidade/campo através dos materiais, um em calcário branco (da calçada de Lisboa) e outro com a cor de terra (da Quinta em Linda-a-Pastora). Os dois muros, com alturas diferentes, também revelam a dualidade cidade/campo, sendo um em alvenaria pintada de branco (sobre o pavimento da cidade) e o outro em pedra tosca (sobre o terreno da ruralidade). Sobre o muro da cidade – com uma frase inscrita (que define a postura vivencial do autor), pousa uma ave preta em pedra, simbolizando o destino triste e a morte anunciada do poeta. Entre eles um caminho em pedra negra, representa o percurso “agrilhoado” da vida do poeta.
Apontando para esse caminho uma figura feminina, em mármore negro de Estremoz (significando a Poesia) é vendada por uma outra com as mesmas caraterísticas materiais, que olhando vaga e indefinidamente para o infinito, representa qual poeta fingidor, o seu ego sonhador, o destino esquizofrenizante na tela patológica de um advento que o poeta intuía, que a seu tempo viria. A venda poderá ainda significar o jogo da cabra-cega em voga na época, que sem barreiras era utilizada pelas várias classes sociais.

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Nota Biográfica

Nascimento: 25 Fevereiro 1855 – Lisboa
Morte: 19 de julho de 1886 – Lisboa

Cesário Verde | Biografia

O Sentimento de um Ocidental

Parque dos PoetaS

Pétala 29

Escultor: João Duarte

Mecenas: SETH

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