Poeta

António Pereira Nobre, mais conhecido como António Nobre, foi um poeta português, criou uma arte singular, aliando a subjetividade do Romântico ao poder de sugestão do Simbolismo.

1867 | POETA

António Nobre

foto: Carmo Montanha

vida e obra

António Pereira Nobre, iniciou a sua atividade poética aos 15 anos, com a publicação de muitos poemas por jornais e revistas, enquanto manteve inéditos bastantes outros, como hoje melhor podemos constatar pela publicação “Alicerces”.

Filho de família abastada ingressou na Faculdade de Direito, na Universidade de Coimbra. Após ter reprovado duas vezes, abandonou o curso. Em 1890 mudou-se para Paris, onde se licenciou em Direito pela Universidade de Sorbonne em 1895.

Ainda na faculdade, António Nobre familiarizou-se com as novas tendências da poesia – a poesia Simbolista e em 1892, publicou o livro de poemas “Só”, que ele mesmo definiu como “o livro mais triste que há em Portugal”. A obra é marcada pela nostalgia e lamentação, porém com um vocabulário refinado, característica do Simbolismo francês. O título do livro é justificado pelo conteúdo que reflete sua preocupação exclusivamente com sua vida. 

António Nobre foi considerado um dos poetas mais populares e renovadores do seu tempo. A sua poesia é voltada para as pessoas simples, vistas através dos olhos infantis e sensíveis do poeta. Levou para a sua poesia o Portugal provinciano nortenho, os seus tédios escolares, o seu exílio parisiense, a sua condição de doente e a saudade da infância, numa burguesia rural decadente, saudosista e com pretensões aristocráticas.

O poeta faleceu vítima de tuberculose e deixou várias poesias que foram publicadas, após a sua morte.

“E a Vida foi, e é assim, e não melhora.
Esforço inutil, crê! Tudo é illuzão…
Quantos não scismam n’isso mesmo a esta hora
Com uma taça, ou um punhal na mão!”

excerto de "Paz!" | 1892

o poeta no parque

PARA A MEMÓRIA DE ANTÓNIO NOBRE

“[…]
De António Nobre partem todas as palavras com sentido lusitano que de então para cá têm sido pronunciadas. Têm subido a um sentido mais alto e divino do que ele balbuciou. Mas ele foi o primeiro a pôr em europeu este sentimento português das almas e das coisas, que tem pena de que umas não sejam corpos, para lhes poder fazer festas, e de que outras não sejam gente, para poder falar com elas.”
“[…]
Quando ele nasceu, nascemos todos nós. A tristeza que cada um de nós traz consigo, mesmo no sentido da sua alegria é ele ainda, e a vida dele, nunca perfeitamente real nem com certeza vivida, é, afinal, a súmula da vida que vivemos — órfãos de pai e de mãe, perdidos de Deus, no meio da floresta, e chorando, chorando inutilmente, sem outra consolação do que essa, infantil, de sabermos que é inutilmente que choramos.”

Fernando Pessoa
excerto de Textos de Crítica e de Intervenção | 1980

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Nota Biográfica

Nascimento: 16 de agosto de 1867 – Porto
Morte: 18 de março de 1900 – Foz do Douro

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