Escultor

Pela entrega a uma apaixonada prática pedagógica e pela resiliência, por vezes em prejuízo da sua obra como artista, o Pedro de Campos Rosado é merecedor do nosso mais profundo reconhecimento.

1950 | escultor

Pedro Campos Rosado

foto: Carmo montanha

vida e obra

Pedro de Campos Rosado, artista surgido na chamada “geração dos anos 80”, dividiu a sua atividade profissional entre o ensino artístico e o seu próprio trabalho enquanto escultor.

Com formação anglo-saxónica, repartida entre a Inglaterra e os EUA, foi um dos responsáveis e dinamizadores dos Encontros Luso-Americanos de Arte Contemporânea que, em 1989, trouxeram ao Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, numa parceria com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, alguns dos artistas verdadeiramente essenciais da contemporaneidade internacional.

Escultor singular, cujos princípios formais e conceptuais pouco se enquadravam no cânone que dominava os artistas da sua geração, o seu percurso foi indubitavelmente prejudicado pela dedicação que desde cedo prestou àquela que foi a sua grande paixão e vocação, o ensino artístico. Professor exigente, interventivo e polémico, aliou uma inegável clarividência organizativa a uma prática pedagógica assente no primado dos materiais, no fazer e num diálogo direto entre professor e aluno.

Nestes últimos anos, preparava a apresentação da sua última obra, Objeto Indiscreto – Permutas Infinitas, uma grande peça escultórica de cariz instalativo, composta por 16 paralelepípedos de base quadrangular, que se desmultiplicava em infinitas modulações realizadas performaticamente no espaço expositivo.

A partida repentina de Pedro de Campos Rosado constitui uma perda funda para a arte portuguesa, onde tinha um lugar singular. Como docente não esqueceu a necessidade de formar artistas, atividade importante que marcou a sua vida e a de muita gente. Mas que o ocupou a ponto de pouco tempo lhe sobrar para mostrar devidamente a própria obra.

O escultor no Parque dos Poetas

“Fiei-me nas promessas que afectavas
Nas lágrimas fingidas que vertias,
Nas ternas expressões que me fazias,
Nessas mãos que as minhas apertavas.”

excerto de "Cegueira de Amor" |
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Nota Biográfica

Nascimento: 10 de agosto de1950 – Lisboa

Morte: 16 de agosto de 2018 – Lisboa

Parque dos PoetaS

Pétala 16

Localização