Agenda

Parque dos Poetas

Poema do dia

 drama do Mar,
O desassossego domar,
                   sempre
                   sempre
                  dentro de nós!
O Mar!
cercando
prendendo as nossa Ilhas!
Deixando o esmalte do seu salitre nas faces dos pescadores,
Roncando nas areias das nossas praias,
Batendo a sua voz de encontro aos montes,
baloiçando os barquinhos de pau que vão Poe estas costas…
O Mar!
pondo rezas nos lábios,
deixando nos olhos dos que ficaram
a nostalgia resignada de países distantes
que chegam até nós nas estampas das ilustrações
nas fitas de cinema
e nesse ar de outros climas que trazem os passageiros
quando desembarcam para ver a pobreza da terra!
O Mar!
a esperança na carta de longe
que talvez não chegue mais!
O Mar!
Saudades dos velhos marinheiros contando histórias de tempos passados,
Histórias da baleia que uma vez virou canoa…
de bebedeiras, de rixas, de mulheres,
nos portos estrangeiros…
O Mar!
dentro de nós todos,
no canto da Morna,*
no corpo das raparigas morenas,
nas coxas ágeis das pretas,
no desejo da viagem que fica em sonhos de muita gente!
Este convite de toda a hora
que o Mar nos faz para a evasão!
Este desespero de querer partir
e ter que ficar!

Jorge Barbosa 

Diogo Dória diz Mário Cesariny, Rui Cinatti, Ricardo Reis e Carlos de Oliveira. João Fiadeiro revisita a sua criação “I am sitting in a room different from the one you are in now”.

Culto

EPISÓDIO 9 – Diogo Dória + João Fiadeiro

Diogo Dória diz Mário Cesariny, Rui Cinatti, Ricardo Reis e Carlos de Oliveira. João Fiadeiro revisita a sua criação “I am sitting in a room different from the one you are in now”

Palavras

para o Século XXI

Palavras para o Século XXI é uma iniciativa da Câmara Municipal de Oeiras que conta com palavras e texto de Gonçalo M Tavares e ilustração de Rachel Caiano. Leia, releia e guarde.

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Poema da semana

Uma pequenina luz
Uma pequenina luz bruxuleante
Não na distância brilhando no extremo da estrada
Aqui no meio de nós e a multidão em volta
Une toute petite lumière
Just a little light
Una picolla, em todas as línguas do mundo
Uma pequena luz bruxuleante
Brilhando incerta mas brilhando aqui no meio de nós
Entre o bafo quente da multidão
A ventania dos cerros e a brisa dos mares
E o sopro azedo dos que a não vêem
Só a adivinham e raivosamente assopram
Uma pequena luz, que vacila exacta
Que bruxuleia firme, que não ilumina, apenas brilha
Chamaram-lhe voz ouviram-na, e é muda
Muda como a exactidão, como a firmeza, como a justiça
Brilhando indeflectível
Silenciosa não crepita
Não consome não custa dinheiro
Não é ela que custa dinheiro
Não aquece também os que de frio se juntam
Não ilumina também os rostos que se curvam
Apenas brilha, bruxuleia ondeia
Indefectível, próxima dourada
Tudo é incerto, ou falso, ou violento: Brilha
Tudo é terror, vaidade, orgulho, teimosia: Brilha
Tudo é pensamento, realidade, sensação, saber: Brilha
Desde sempre, ou desde nunca, para sempre ou não: Brilha
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
Como a exactidão como a firmeza, como a justiça
Apenas como elas
Mas brilha
Não na distância. Aqui
No meio de nós
Brilha

Jorge de Sena

Masterclasse

“Pessoa foi uma personagem de Saramago?”

Com Pílar Del Rio e moderação de Nicolau Santos.
Veja ou reveja esta sessão do ciclo de Masterclasses “Pessoa convida Pessoas”.

Documentário

"Morreu o poeta Herberto Helder”

Um documentário imperdível sobre uma das figuras mais enigmáticas do panorama literário nacional.